terça-feira, 17 de dezembro de 2013

AINDA É TEMPO

Minha vida se escoa em longo anos
e não se esgota o amor em meu viver.
E a cada passo eu vejo inda a crescer,
um sentimento puro, muito humano.

Atravessei imensos oceanos,
cavernas abissais fui conhecer.
É tarde e vejo a luz de um benquerer,
iluminando, à noite, os desenganos.

Por que somente agora? O tempo gasto,
foram dias difíceis e nefastos,
a minh’alma viveu em pé de guerra.

Ainda é tempo de viver o amor,
o amor mais lindo, puro, encantador,
quem sabe o nosso céu aqui na terra?

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O ANDARILHO


Pela estrada da vida eu vou seguindo,
é minha cruz o pó da longa estrada.
Como doem meus pés, da caminhada!
Apesar disso tudo, eu vou sorrindo.


O sucesso e o fracasso conduzindo
como quem não transporta mesmo nada.
Um gemido, um murmúrio, uma piada,
tem o mesmo valor se estou ouvindo.


Não me queixo das dores que padeço
e não exalto as minhas alegrias.
Meus amores? Nem sei se os mereço.


Andarilho, da vida, eu conto os dias.
Quando é noite, tranquilo eu adormeço
entre as rimas das minhas poesias.



                                    Gilson Faustino Maia

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Para um grande amor



Te esperarei, é longa a eternidade,
mas mesmo longe eu sempre estou atento
São teus meus versos, teu meu pensamento...
Tu és meus sonhos, és minha saudade.

Te esperarei, e embora a realidade
escreva um não na tela do momento,
eu sinto em teu olhar, acolhimento,
farejo o teu amor em quantidade.

Te esperarei, não chames de utopia!
Que importa eu viva um mundo de ilusão?
És a rima feliz da poesia,

magia que me invade o coração.
Te esperarei, meu mel, minha alegria,
minha fonte de luz, de inspiração.


Gilson Faustino Maia

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CONFISSÃO



Eu já não minto, amor, eu me condeno.
Eu revelo o que sinto no meu peito,
que não sabe o que é certo e o que é direito
e não teve, da sorte, o nobre aceno.


Os mistérios do amor eu, tão pequeno,
envolvido por tantos preconceitos,
registrei no meu ser, quase desfeito,
nas noites de luar tão puro e ameno.


És meu raio de luz na escuridão.
És um fato gravado, eu não te esqueço.
A pedra preciosa do meu chão.


E, nos braços da noite, eu, que enlouqueço,
confesso com meu grito à imensidão:
-És, do amor, a essência que padeço!


Gilson Faustino Maia

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O batismo do poeta



O mar era revolto, a tempestade
parecia querer o fim de tudo...
Nuvens cinzentas lá, de um céu sisudo,
despejava o seu pranto. Que maldade!

Dizia um lenço branco, da cidade:
-Será grande o sofrer, eu não me iludo!
Enquanto navegava, o barco, mudo,
diante da cruel fragilidade.

E gritava a razão, muito inquieta:
-Segure o leme, aguente coração,
é preciso alcançar a nova meta,

embora não pareça a solução!
Era o batismo do jovem poeta,
Timoneiro da triste embarcação.

Gilson Faustino Maia

sábado, 23 de novembro de 2013

O ESPELHO



Estando, ali no quarto, na moldura,
parecia sofrer com meu viver.
Tudo viu, em silêncio, acontecer:
o meu rosto perder a formosura.

Companheiro na minha desventura,
meu olhar viu o pranto umedecer,
apagar-se o meu sonho, o meu querer
mergulhado nas ondas da amargura.

Ah, espelho infeliz, tu assististe
toda angústia na minha mocidade!
Conseguiste enxergar como era triste,

minha vida a partir da puberdade.
E agora, na velhice, ainda insiste
em ver as minhas rugas da saudade.

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Fonte de inspiração




É minha eterna musa, tão distante,
razão do meu viver apaixonado.
Bendito o Pai que fez tão caprichado
as linhas do seu corpo, seu semblante.
Eu paro e sonho e vejo a cada instante
seu lindo olhar na mente, então, gravado,
porém nem tudo é céu, sou despertado
e deixo o paraíso dos amantes.

E volto à terra, à dura realidade, 
o palco da tortura e da saudade,
às sombras de uma vida em solidão.
E mergulho febril na poesia
lembrando a musa, fonte de alegria,
o meu foco de luz, de inspiração.

Gilson Faustino Maia

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Espumas que se apagam




Era a esteira de espuma a realidade
de quem, enfim, partira mundo afora.
Pra quem ficou, tristeza e pranto agora.
Pra quem partiu, as marcas da saudade.

Foi preciso partir, eis a verdade!
Mas se manda a razão, o peito chora.
A lágrima desliza sem demora,
só de lembrar dessa calamidade.

E sopra o vento, segue a embarcação...
O que ficou, ficou, não volta mais.
O pranto salga o mar, o céu diz não.

As decisões divinas são fatais.
As espumas se apagam, tudo então
chega ao final, o amor ficou no cais.

Gilson Faustino Maia

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A morte do poeta




 Quando morre um poeta é uma ilusão,
o poeta não morre, segue o vento
e procura no etéreo um novo assento,
bem longe das agruras deste chão.

Ficam seu versos como inspiração;
seu pranto, seus mais nobres pensamentos...
Porém o amor, seu mais puro sentimento,
irá com ele em busca da amplidão.

E lá, construirá nova morada
e esperará subir, com esplendor,
aquela sua eterna namorada

como um anjo de luz, a deusa, a flor
que enfeitou, nesta vida, a sua estrada
com seu olhar sublime e sedutor.

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Musa da saudade



Abra a janela, ó musa da saudade,
quem sabe um dia eu passe novamente
e nosso olhar se cruz e, de repente,
fazendo renascer felicidade.

Passou o tempo, é claro, a mesma idade
dos sonhos já não temos, mas contentes,
ainda ficaremos. A semente
do amor guardamos para a eternidade.

E quem disse que à tarde o sol não brilha?
Sob as cinzas existe caloria.
É só seguir as letras da cartilha,

a rima é sempre igual na poesia.

O tempo passa e é sempre uma armadilha
porém não morre nunca a simpatia.
Gilson Faustino Maia

A carta




Eis meu recurso: leva a minha carta
o carteiro entre cartas de cobranças,
mas a minha contém as esperanças
e, de frases de amor, está bem farta.

Acalme-se rapaz, fique, não parta,
dissera o coração, quase criança,
mas não obedeci, fiz a mudança
pensando que a saudade se descarta.

Agora o coração, já bem cansado,
reclama da atitude que eu tomei,
porém eu sei que não agi errado,

um dois de paus não pode ser um rei.
Talvez a dama, lendo o meu recado,
perceba a dor e o pranto que chorei.

Gilson Faustino Maia

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

No mundo das estrelas



Partiremos, eu sei, mais alguns anos
e estaremos no reino das alturas
para colhermos, juntos, formosuras.
Esqueceremos nossos desenganos.
Há muito tempo que já fiz meus planos,
já desenhei o nosso eterno lar.
Será, nossa morada, singular,
bem longe das misérias dessa vida.
Eu junto a ti, feliz, minha querida
vivendo entre as estrelas a brilhar.


Gilson Faustino Maia

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um amor distante


Parti, um dia, um deserto
em minh’alma foi formado,
porém estavas bem perto,
num coração machucado.


Parti, um dia, um deserto
formou-se aqui no meu peito.
Meu coração, todo aberto
e tu sozinha no leito.


Um problema sem medidas,
em minh’alma foi formado.
Dois corações,duas vidas,
um trovador transtornado.


Eu não sei se estava certo,
abandonando a cidade,
porém estavas bem perto,
dentro da minha saudade.


E foi, assim, longos anos,
relembrando o meu passado.
Um monte de desenganos
num coração machucado.

Gilson Faustino Maia

Uma história de amor.




Dois corações singelos, com ternura,
são visitados pela luz do amor.
Da pureza do olhar encantador,
nasce um sonho de paz e de ventura.

Dois anjos de inocente formosura,
tentando neste mundo enganador
construir um jardim, plantar a flor
de uma vida feliz e de candura.

O tempo passa, o vento da maldade
tenta encobrir com pó aquela história,
impedir, do namoro, a liberdade.

Pode, a renúncia, ser obrigatória,
vitoriosa ser a crueldade...
Será eterna a história na memória.

Gilson Faustino Maia

domingo, 3 de novembro de 2013

A MINHA CRUZ



É quando o amor caminha a passos lentos
e a ingratidão a passos de gigante,
que o desespero surge e, nesse instante,
toma conta dos nossos pensamentos.

A ansiedade destrói, nesses momentos
já nem pensamos mais nos nossos atos.
Perdão, Senhor, não julgue um desacato
de minha parte certas atitudes. 

Chorando eu peço, por favor me ajude
a não jogar a minha cruz no mato.
O mundo é belo, a vida é formidável!
Porém a fé nem sempre um bom tamanho. 

É triste isso afirmar, até me acanho, 
minh’alma fica em estado deplorável, 
mas sei que o humano é mesmo um miserável,
não preparado para certos fatos,

mesmo um doutor ou falso literato.
Mas mesmo eu sendo um pobre pecador, 
volto a pedir me ajude, por favor, 
a não jogar a minha cruz no mato.


Gilson Faustino Maia

Quando Deus fez você


 Quando Deus fez você, a inspiração
que Ele teve eu nem posso imaginar.
Pôs a luz de uma estrela em seu olhar,
a graça angelical, a perfeição.
Durante todo tempo a Sua ação
foi de esmero e carinho singular,
sem pressa e com ternura a fabricar
o que chamou de encanto, sedução.

 Eu já estava na terra, solitário,
bisbilhotando as luzes do Universo,
buscando a sua trilha, o itinerário,

entre mundos estranhos e diversos,
até que um dia um fato extraordinário:
surgiu você, a musa dos meus versos.
Gilson Faustino Maia - 05-09-13

MINHA QUERIDA




Ninguém conhece, querida,
nossa história, nosso amor.
Vem de longe, minha vida,
num começo encantador.


Você vinha sobre a mata,
eu, na janela, a espreitar.
Você - seu olhar de prata,
meu coração - a pulsar.


- Mamãe, é noite de lua?
- Sim, meu filho, é lua cheia!
- Ela virá, toda sua,
com a luz que tudo clareia!


Foi assim na minha infância,
um amor de qualidade.
E foi assim, com constância,
nos tempos da mocidade.


A vida passou, menina,
mas seu raio inspirador,
ainda hoje ilumina
minh’alma de trovador.




Gilson Faustino Maia - 12-08-11