sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PICARDIA



 

 

Quando vires no céu nascer a lua;
quando ouvires na rama o som do vento,
para a labuta por alguns momentos
e viaja no espaço que insinua

que em momentos assim minh’alma e a tua
passeiam livres pelo firmamento.
Olha o sol, certamente estou sedento,
mas é sede de amor que em mim atua.

Estou no céu, na terra, estou no ar;
estou no amor, na paz, na poesia;
estou nas letras do verbo sonhar.

Meu peito é tua eterna moradia,
será difícil, amor, eu te encontrar.
A imensidão da terra é picardia.

Gilson Faustino Maia

domingo, 30 de novembro de 2014

Quando surge a saudade







Você fugir de mim? Não adianta...
Sou pássaro pousado no seu muro;
pirilampo piscando em seu escuro;
o seu grito engasgado na garganta.


A minh’alma aos seus pés, imagem santa...
Num mar de ansiedade que eu aturo,
é você, meu amor, porto seguro
cada vez que a saudade se levanta.


Sigo esticando a vida e sei que um dia
eu sairei da simples poesia
para surgir em flor no seu jardim.


O vento traz de longe o seu recado
que deixo no meu peito bem guardado,
e a vida vai fugindo assim de mim.
                                                                            
                                                                           Gilson Faustino Maia

domingo, 16 de novembro de 2014

Fala!



    Fala, ao curtir meu olhar,
mesmo na fotografia:
- Eu nasci para te amar
dia e noite, noite e dia,
no céu, na terra, no mar,
nas linhas da poesia.

Fala, já que te amo tanto,
jamais me esconda a verdade.
Fala que enxuga o meu pranto
e mata minha ansiedade.
Fala, eu aguardo o teu canto
sob o lençol da saudade.

Gilson Faustino Maia

sábado, 15 de novembro de 2014

Soneto da madrugada



Um dia o anjo lembra e toca o sino.

Por que não aceitar o tal convite?
Minha estrada é de pó, veja, acredite,
por que não me chamou quando menino?

É hora de passar o pente fino.
O anjo está querendo que eu me irrite!
Olhe agora em meus olhos, não me evite...
Eu acho que ele quer meu desatino!

Dancei no calendário, palmo a palmo...
Percorri, inteirinha, a minha estrada...
E o anjo, lá no Céu, cantando Salmos...

É tarde... Até o Demo dá risada...
Lá fora a chuva cai, mas estou calmo
escrevendo, escrevendo... É madrugada!


            Gilson Faustino Maia

terça-feira, 4 de novembro de 2014

APAIXONADO



Nesse mundo de sonhos nós vivemos
carregando esperanças e saudade.
Olhando para o céu, às vezes cremos
que a fantasia é pura realidade.

Pensamos muito, mas o que sabemos?
Existe o amor ou só a ansiedade?
E o sentimento que por dentro temos,
grande projeto de felicidade?

O mundo é ilusão ou poesia?
Quem está certo e quem terá razão?
Caminhamos em busca de alegria,

no mesmo sonho e mesma solidão.
Como viver assim, ai, quem diria,?
Vivo perdido, imerso na paixão.

Gilson Faustino Maia

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MANIA DE AMAR


Cala o poeta, cessa, inteiro, o canto.
Olhando a estrada, já não quer cantar.
Não olha mais o céu, não quer luar,
guarda a viola, esconde os seus encantos.


Deixa descer, da noite, o negro manto;
O mundo é uma ilusão, como sonhar?
Tudo é rotina, a mesma praia, o mar...
Porém, ó musa, não precisa espanto!

Olhe em meus olhos, têm o mesmo amor,
mesma ternura que você não vê,
um sentimento nobre, encantador

que não pode evitar, também por que
evitaria se ele tem valor?
Tudo é mania de amar você.
                                  Gilson Faustino Maia

sábado, 18 de janeiro de 2014

O BEIJO





Essa distância atroz que me condena
ao suplício do amor, essa saudade,
eu não sei se é destino ou se é maldade,
só sei que a tua ausência me envenena.

Determinei: tu és minha pequena,
passearemos juntos na cidade.
Eu sei que invejarão nossa unidade,
mas mesmo assim a vida vale a pena.

manda um beijo, quem sabe, pelo vento;
que ele traga ao meu pobre pensamento
a inspiração de que tanto eu necessito.

manda um beijo, sinal do teu amor.
Eu em troca serei teu servidor,
terás o amor mais puro e mais bonito.
                              Gilson Faustino Maia

O ANJO




Passei voando por uma janela.
No interior, tranquila, repousava
linda dama que há tempos eu visava,
pele fresca, sedosa e muito bela.

Entrei, voo silente, com cautela...
Bom anjo ali fiquei, de pé,velava
aquela musa que então repousava,
porém não resisti à imagem dela.

nem mesmo um anjo fica indiferente,
deixei as asas num canto qualquer...
perdão, Senhor, mas eu quero ser gente,

seja o mais generoso que puder
e deixe-me viver feliz, contente.
   Quero somente o amor dessa mulher.

              Gilson Faustino Maia

sábado, 4 de janeiro de 2014

MILAGRES DE AMOR


Quando eu passo sozinho pela vida
sem a sombra da ternura em meu favor,
quando ao meu lado não existe o amor,
até minh’alma é triste, enfraquecida.

Quando eu busco e não acho uma saída,
quando o sol brilha pouco e sem calor
e quando a lua esconde o seu fulgor,
penso até numa eterna despedida.

Mas quando nasce o amor, quanta alegria!
Tem mais luz lá no céu, mais poesia...
Até bate mais forte o coração.

Tem mais cores nas flores do jardim
e toda a natureza é festa, e, assim,
eu canto, eu rio, eu rezo uma oração.

Gilson Faustino Maia