Estando, ali no quarto, na moldura,
parecia sofrer com meu viver.
Tudo viu, em silêncio, acontecer:
o meu rosto perder a formosura.
Companheiro na minha desventura,
meu olhar viu o pranto umedecer,
apagar-se o meu sonho, o meu querer
mergulhado nas ondas da amargura.
Ah, espelho infeliz, tu assististe
toda angústia na minha mocidade!
Conseguiste enxergar como era triste,
minha vida a partir da puberdade.
E agora, na velhice, ainda insiste
em ver as minhas rugas da saudade.
Gilson Faustino Maia
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