sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Miragem?


Eu passei, ela estava na janela.

Eu quis sorrir, mas não tive coragem.

Podia ser um sonho ou ser miragem,

talvez linda pintura numa tela.

 

Um dia eu chegarei mais perto dela

pra ver se algo mudou naquela imagem.

Se não mudou, é tela, uma bobagem,

mas se mudou, irei falar com ela.

 

Tomara que ela seja de verdade,

e que haja luz e vida em seu semblante;

que queira caminhar com lealdade

 

para ser minha amada e par constante.

Eu não suporto mais essa saudade,

com ela até meu sol é mais brilhante.

 

Gilson Faustino Maia

sábado, 17 de setembro de 2016

De frente para o amor


É hora de esquecer essa cortina.

Venha à janela, pois a vida é bela;

em breve, primavera em nossa tela.

Saúde e muita paz, minha menina!

 

O vento sopra, às vezes me alucina...

Olho, então, para o céu, nada revela.

Quando eu olho ao redor, linda aquarela,

um sentimento puro me domina.

 

Então eu penso: se não foi possível,

deveria existir um outro jeito,

uma forma qualquer, inteligível,

 

que não ferisse tanto o nosso peito.

Venha à janela, a mágoa é incompatível

com um sonho de amor e seus preceitos.

 

Gilson Faustino Maia

sábado, 10 de setembro de 2016

Fim de inverno


Já vai partindo o inverno, vá com Deus!

Virão, em pouco tempo, lindas flores,

e campos e florestas multicores,

presentes dos benditos gineceus.

 

Um novo alento nasce aos olhos meus;

é a natureza que me traz favores.

Curvo-me ao Pai, a Ele os meus louvores!

Quero sentir, do inverno, enfim, o adeus.

 

Virão dias de sol, de luz, calor,

noites mornas, nos lares mais amor,

nas ruas mais folguedos, liberdade!

 

Um perfume no ar, mais esperança...

Que um certo olhar não seja só lembrança,

venha ocupar a vaga da saudade!

 

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Se fosse...


Se fosse o amor um fato extraordinário

no seu conceito de mulher moderna,

nossa união até seria eterna;

um chão de estrelas, nosso itinerário.

 

Meu coração seria o seu sacrário,

e sua voz seria sempre terna,

e não palavra solta, assim, externa,

como as águas que descem ao estuário.

 

Se fosse o seu carinho mais sincero,

não teria surgido um lero-lero

capaz de destruir nossa alegria.

 

Nossa história seria mais feliz;

não haveria a mágoa, a cicatriz,

como rima nas minhas poesias.

 

Gilson Faustino Maia