segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Adeus


Adeus, eu partirei, irei aos ares

com a saudade como companhia!

Rasgarei o meu verso, a poesia

e nosso amor à sombra dos altares.

 

Eu deixarei , da paixão, lá nos pomares,

os frutos que eu confesso que queria.

O destino é cruel e tripudia,

a maré jamais enche nos meus mares.

 

Deixarei meu perfume e a minha asa

angelical guardada em tua casa

certa noite ao entrar pela janela,

 

mas não esquecerei, ó minha musa,

dos abertos botões da tua blusa

ao dormir no teu quarto, assim tão bela.

 

Gilson Faustino Maia

Sendo poeta


 

 

(Atenção, são dois poemas num só: até a sequência de asteriscos, um sonetilho  de seis sílabas métricas e acrescentando o que está depois dos asteriscos, um soneto decassílabo.)

 

Sendo poeta eu posso *****ser feliz:

amar você no espaço *****sideral.

O desencontro nosso, *****que eu não quis,

fingir ser grande abraço, *****bem normal.

 

Sendo poeta eu devo *****ser raiz,

colar minh’alma à tua, *****triunfal

 e, nos versos que escrevo, *****eu aprendiz,

subir além da lua, *****atemporal.
 

Sendo poeta eu rimo *****a sua ausência,

essa saudade louca, *****intolerante,

com o meu desatino,***** impaciência,

 

ou com minha voz rouca, *****preocupante.

Mas não sou mais menino, *****em que a imprudência,

com minha idade pouca, *****era gritante.

 

Gilson Faustino Maia