sábado, 30 de janeiro de 2016

A nobreza da musa


Não contrarie a musa, ó poeta,

pois o que você faz, depende dela.

Até a inspiração que o céu revela

que fala dessa amor que o céu projeta.

 

Se ela se aborrecer, ficar quieta,

você será igual um barco à vela,

Sem vento e direção, sem sua meta.

 

Mas acredite, em nome da poesia,

ela virá trazer a inspiração,

a alma do seu verso, essa alegria

 

Que lhe trará de volta ao firme chão.

A nobreza da musa é a garantia.

Ela tem muito amor, no coração.

 

Gilson Faustino Maia

Pilhérias


Quando você voltar das longas férias,
eu lhe direi: Amor estou aqui!
Distante de você, quantas misérias,
e faltas de carinho que sofri!
 
No mundo já vi muitas coisas sérias
e muitas ilusões eu já vivi.
A vida é mesmo assim, quantas pilhérias,
quanta coisa irreal já conheci!
 
Espero que você, no seu passeio,
tenha encontrado toda segurança,
que esteja morto todo o seu receio
 
e crescido, no amor, muita esperança.
Caso contrário, não há outro meio,
só um passado escrito na lembrança.
 

Gilson Faustino Maia

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sofrimento de poeta


Sofre o poeta e quando o sofrimento

 atinge um grau maior, o da explosão,

 bem antes de partir seu coração,

 transforma em poesia o seu lamento.

 

E, assim, alguém dirá nesse momento:

- Que poema, meu Deus! Qual a razão

 que leva alguém às raias da paixão?

 Tudo será verdade, ou grande invento?

 

Sensível, o poeta sente e chora;

 e ri dessa tristeza que o apavora,

 espantando a saudade que o atormenta.

 

Ao ler o seu poema, alguém murmura:

- Quem será, afinal, a criatura

 que chora e ri enquanto, a vida, aguenta?

 

Gilson Faustino Maia

sábado, 23 de janeiro de 2016

Minha presença


Sente o vento passando, são meus braços.

Sente o sol no teu rosto, o meu calor...

Esse ar que respiras, meu amor,

esse aperto em teu peito, meus abraços.

 

 

O eriçar dos teus pelos, o embaraço

da guerra do teu reino interior.

Sente a minha presença, por favor,

pois estar junto a ti sempre, é o que eu faço

 

 

dia e noite, só vendo, noite e dia

nos trabalhos, passeios, poesia.

A minh’alma vagueia no infinito

 

 

e desce ao teu encontro, pois preciso.

Eu preciso de ti, pra que juízo?

Se ouvires um rumor, é meu agito!

 

 

Gilson Faustino Maia

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Maior prêmio


Quero estirar-me ao sol da sua praia
 sentindo a brisa fresca, bem disposto,
 porém mais tarde, sendo o sol já posto,
 pedirei que daqui você não saia.
 
Já vejo o fim do dia, a luz desmaia...
 Eu quero dar mil beijos no seu rosto,
 mas que tudo seja feito do seu gosto,
 como o seu coração, com graça, ensaia.
 
Quando a lua no céu aparecer
 estarei nos seus braços, com prazer,
 sorvendo o mel do seu olhar, querida.
 
Direi: - Ó lua, aqui não se intrometa,
 é a melhor madrugada do planeta,
 maior prêmio de toda a minha vida!
 
Gilson Faustino Maia

domingo, 17 de janeiro de 2016

A lei do amor


Ergo os olhos ao céu, procuro a lua.
Eu quero a luz que afaga, que inebria;
quero colher, do alto, a poesia
que, como inspiração, no ar, flutua.
 
 
A abóbada celeste, toda nua,
desfila ao meu olhar que se extasia,
mas não produz o efeito que eu queria
tal qual sempre encontrei na imagem tua.
 
 
Porém vi, ó musa, que o universo
só nos fala de paz, e fiz meu verso
inspirado no amor que eu encontrei.
 
 
Entendi a razão da nossa vida,
o presente que o Pai nos deu, querida:
“Amai-vos sem cessar, eis minha Lei!”
 
 
Gilson Faustino Maia
 

Adeus, ó musa!


Disse o poeta à musa em tom queixoso:

-O tempo passa, amor, assaz ligeiro

e o mundo é encantador, é prazenteiro,

ao lado teu, o ar é mais gostoso!

 

O verso sai assim, belo, formoso,

e vem a inspiração o dia inteiro

falando de um amor bem verdadeiro,

capaz de extremos, puro, corajoso.

 

Mas é questão de tempo, acaba um dia.

O que fica, afinal? Só poesia,

mais uma história num caderno escrita.

 

Um dia vem o vento da desgraça,

a velha feia vem e entorna a taça,

e adeus, adeus ó musa favorita!

 

Gilson Faustino Maia

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Alguém dirá:


Um dia alguém dirá: -Passou o vento,

mas sacudiu a folha da palmeira.

Zuniu no bambuzal e fez zoeira,

passou e registrou seu movimento.

 

 

Um dia alguém dirá: -Por um momento

a vida foi melhor, mas passageira.

Houve paz, houve amor e brincadeira,

mas existiu, também, o sofrimento.

 

 

Alguém dirá: - Deitou lá no poente

o sol, pois já cumpriu a sua meta.

E, assim, desfila a vida à nossa frente.

 

 

Ninguém sabe o amanhã o que projeta.

Pode até demorar ou de repente

alguém dirá: - Passou o meu poeta!

 

 

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Milagres do amor


Quando eu passo sozinho pela vida

sem a sombra da ternura em meu favor,

quando ao meu lado não existe o amor,

até minh’alma é triste, enfraquecida.

 

Quando eu busco e não acho uma saída,

quando o sol brilha pouco e sem calor

e quando a lua esconde o seu fulgor,

penso até numa eterna despedida.

 

Mas quando nasce o amor, quanta alegria!

Tem mais luz lá no céu, mais poesia...

Até bate mais forte o coração.

 

Tem mais cores nas flores do jardim

e toda a natureza é festa, e, assim,

eu canto, eu rio, eu rezo uma oração.

 

Gilson Faustino Maia

domingo, 3 de janeiro de 2016

Mesmo distante...


Não pense, meu amor, nunca em saudade...

É só fechar a porta e eu vou embora.

O fim da minha estrada não demora,

já diviso o portão da eternidade.

 

Faça uma festa, enfim, de qualidade,

já selei meu cavalo e pus a espora.

O dia está bonito, há sol lá fora,

mais uns minutos, saio da cidade.

 

Não deixe o sol matar as lindas flores;

deixei o regador lá no jardim.

Não se esqueça que somos bons cantores,

 

Na hora de dormir foi sempre assim.

Entoe uma canção, por mil favores,

mesmo distante, amor, cante pra mim.

 

Gilson Faustino Maia

Próximo dia 06 de janeiro, aniversário da minha terra!



 


 

E um lindo mar azul esverdeado,

mostra lembranças mil, muita saudade...

No peito um coração, que a dor invade,

eternamente só, apaixonado.

 

Não, não é só, agora acompanhado,

findando o que restou da mocidade...

Mas o destino vem, quanta maldade!

E mostra o mar no olhar, tudo é salgado.

 

Outra versão da dor, da cicatriz,

mais um punhal no peito do poeta

que chora, que lamenta o que não quis.

 

A festa, Angra dos Reis, está completa...

Dia dos Santos Reis, a história diz...

Minh’alma não celebra, está quieta.

Gilson Faustino Maia