quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Final de ano


Dois mil e quinze está partindo agora,

de muita gente, leva as alegrias.

Restou pra mim as minhas poesias...

A minh’alma é triste, a minh’alma chora.

 

E chora por aquilo que apavora:

as ilusões, as tolas fantasias.

Não quero discutir filosofias,

mas é meu Pai quem no meu peito mora.

 

Que venha o dezesseis, traga a certeza,

traga a fé, traga o amor, traga a esperança...

Traga o domínio sobre natureza,

 

e não a escravidão, a insegurança.

Só Deus coloca o pão em nossa mesa,

eu aprendi assim desde criança.

 

Gilson Faustino Maia

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Rastros derradeiros


Eu cansei de lutar na escuridão,

numa guerra infeliz de um alto preço.

Eu preciso de luz, sei que mereço,

pois é feito de amor meu coração.

 

Bem-te-vi, lá na mata em solidão,

sempre disse que viu, eu não me esqueço.

Viu o quê? Viu as dores que eu padeço?

Mas senti-las, não pode, eis a questão.

 

Já cansei de assistir cenas horríveis,

sou do grupo, talvez, dos mais sensíveis...

Eu não posso fugir da minha meta.

 

Partirei, fugirei para a floresta,

é pra mim, simplesmente, um fim de festa,

são os rastros finais deste poeta.

 

 

Gilson Faustino Maia

domingo, 27 de dezembro de 2015

Minha carta de amor


Na impossibilidade de um abraço,
eu recorro aos serviços do carteiro.
Ele que leva o amor o tempo inteiro
aos lares mais distantes sem cansaço.
 
Porém o que eu desejo, mas não faço,
e recorro, nesse caso, ao mensageiro,
é dividir contigo o travesseiro
ou descansar um pouco em teu regaço.
 
Quem dera, meu amor, morasses perto,
mas entre nós existe essa distância,
não sei se algum abismo ou se um deserto...
 
Não dá nem pra sentir tua fragrância.
Ao ver o teu retrato, indago, é certo?
Tu dás ao meu amor mesma importância?
 
Gilson Faustino Maia

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Vida difícil


De tropeço em tropeço eu me angustio,

mas forças tenho pra esconder o pranto.

Se olhar meu coração, em cada canto

encontro a mágoa que traz arrepio.

 

Às vezes sou sisudo, às vezes rio,

consigo suportar, acho-me um santo.

Eu cansei de aturar o seu quebranto

que deixou minha vida por um fio.

 

O amor é passageiro na viagem

do berço à sepultura, à eternidade...

O viver é difícil, quer coragem,

 

o mundo é ilusão só tem maldade.

Entre beijos, a dor pede passagem

na estrada pedregosa da saudade.

 

Gilson Faustino Maia

Renascença


Então Ele nasceu, o Deus Menino...

Em meu peito, só vendo, que alegria!

Estava aberto o Céu e tudo eu via

em paz,  sem amargura ou desatino.

 

O coro angelical cantava hinos...

Glória a Deus nas alturas! Poesia?

Um poema de amor, como eu queria,

descendo como um rio cristalino.

 

O Pai fez um milagre em minha vida:

curou as minhas dores, as feridas

e a angústia que existia em meu viver.

 

Apresentou-me, enfim, nova esperança,

através de Belém e da criança

que insistiu em minh’alma renascer.

 

Gilson Faustino Maia

 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O tempo do amor


Para um sonho de amor acontecer,
 o tempo foi o artista responsável,
 trabalhando, de forma admirável,
 com todo o seu capricho e seu poder.
 
Eu esperei milênios pra nascer.
 Eu aguardei, com calma inexorável,
 o momento que fosse favorável
 para unir minha vida ao teu viver.
 
Veio o tempo do amor, quanta loucura!
 Veloz deixando o peito em mil pedaços
 pra num curto existir, ter-se a ventura.
 
Fico às vezes medindo os embaraços,
 o momento de dor, de desventura,
 o dia de sair destes teus braços.
 
 
Gilson Faustino Maia

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Feliz Natal, amigos!


Felicidade, amigos, sei que existe

em um canto qualquer, hei de encontrar!

Então eu gritarei: - Eis o lugar!

Agora inda não sei, meu peito é triste.

 

Coração de poeta não resiste

o que a vida deseja lhe ofertar:

um mundo de carinho singular,

pois minh’alma quer mais, exige, insiste.

 

Vou correndo a Belém, ali eu sei

nascerá a Verdade, a Paz, um Rei,

o eterno e grande Amor, sem ilusões.

 

Se agora existem dores, amarguras,

encontrarei o fim das desventuras,

quando nascer Jesus nos corações.

 

Gilson Faustino Maia

sábado, 12 de dezembro de 2015

Sonhar

É preciso sonhar, viver de sonhos
 para não sucumbir à realidade.
 O que não houve não deixou saudade,
 ou existiu num sonho ou fui bisonho.
 
 Se o meu passado foi assim medonho,
 faltou fantasiar, eis a verdade.
 Com exagero, usei sinceridade,
 eis o presente, enfim, tão enfadonho.
 
 E continuo, já virou mania,
 eu abro o jogo, eu erro ao ser sincero.
 O mundo quer viver de fantasia,
 
 hei de aprender um dia, assim espero.
 Porém não quero errar na poesia,
 se eu amo, eu amo, quando eu quero, eu quero.
 
Gilson Faustino Maia